China passa a limitar consumo de energia de carros elétricos

China passa a limitar consumo de energia de carros elétricos
Norma passa a valer desde primeiro de janeiro. Foto: Reprodução/CarNewsChina.com

A China já aplica, desde 1º de janeiro uma nova norma nacional, considerada a primeira do mundo a estabelecer limites obrigatórios de consumo de energia específicos para veículos elétricos e passa a influenciar diretamente o desenvolvimento e a comercialização de novos modelos no país.

A medida faz parte da estratégia chinesa para elevar a eficiência energética da frota, reduzir emissões e orientar a evolução tecnológica da indústria de veículos de novas energias.

 

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Limites por peso do veículo

A norma estabelece tetos máximos de consumo de energia de acordo com o peso do veículo, levando em conta o estado atual da tecnologia, o potencial de economia energética, os custos industriais e o desempenho de modelos com características especiais. Em média, os novos limites são cerca de 11% mais rigorosos do que os previstos na versão anterior, que tinha caráter apenas recomendatório.

Como exemplo, um veículo elétrico de passageiros com aproximadamente duas toneladas passa a ter consumo máximo permitido de 15,1 kWh a cada 100 quilômetros. O objetivo é forçar a adoção de soluções mais eficientes em motores, eletrônica de potência, aerodinâmica e sistemas auxiliares.

 

Impacto direto na autonomia e na experiência de uso

Segundo as estimativas associadas à norma, a atualização tecnológica exigida permitirá um ganho médio de cerca de 7% na autonomia dos veículos, mesmo mantendo a capacidade das baterias inalterada. Na prática, isso significa maior alcance por carga e melhoria na experiência de condução, sem a necessidade de baterias maiores ou mais caras.

Com a entrada em vigor da regulamentação, fabricantes que produzem veículos elétricos na China precisam adequar seus projetos para atender aos novos limites, o que tende a acelerar a eliminação gradual de modelos com consumo energético elevado.

 

Eficiência, carbono e renovação da frota

O governo chinês avalia que a implementação da norma terá papel relevante no avanço das tecnologias de economia de energia para veículos puramente elétricos, além de contribuir para a melhoria geral da eficiência energética da frota. A regra também está alinhada às metas nacionais de pico e redução das emissões de carbono.

Além disso, a política pode estimular a substituição de veículos mais antigos por modelos novos e mais eficientes, reforçando o desenvolvimento de alta qualidade da indústria de veículos de novas energias no maior mercado automotivo do mundo.

 

Regras para exportação de elétricos

Paralelamente às novas exigências técnicas, a China passa também a exigir licenças de exportação para veículos de passageiros puramente elétricos desde 1º de janeiro de 2026. A decisão envolve quatro órgãos do governo: o Ministério do Comércio, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, a Administração Geral das Alfândegas e a Administração Estatal de Regulação do Mercado.

Segundo as autoridades, o objetivo é promover um desenvolvimento “saudável e ordenado” do comércio exterior de veículos de novas energias. A medida surge em um momento de forte expansão internacional de marcas chinesas como BYD, NIO e outras, que vêm ampliando sua presença na Europa, América Latina e Sudeste Asiático.

O controle mais rigoroso das exportações também pode funcionar como resposta a pressões externas, incluindo questionamentos sobre subsídios estatais, padrões de qualidade e práticas comerciais no mercado global de veículos elétricos.

Isabela Braz
Isabela Braz

Jornalista graduada pela UNIP desde 2023. Atuou como repórter em veículos de comunicação na região de Campinas com experiência em impresso, digital e TV. Acompanha o mercado de veículos elétricos para o Canal VE.