Com o avanço do uso de bicicletas elétricas nas cidades, a Casa do Ciclista, de Teófilo Otoni (MG), criou um curso voltado à preparação, sobretudo de adolescentes, para utilizar as e-bikes com mais segurança no trânsito. A iniciativa é realizada em parceria com as Autoescolas Glória e Sobre Rodas e reúne aulas teóricas, práticas e acompanhamento dos alunos em trajetos que fazem parte da rotina.
Segundo Ripecio Van der Maas, proprietário da loja, o objetivo é preparar os jovens para situações que eles ainda não estão acostumados a enfrentar nas ruas, principalmente em relação ao comportamento no trânsito.
“Nós fizemos um trabalho juntamente com as autoescolas, em que eles passam por aula prática, aula teórica e tem uma motopista, que o instrutor passa todas as manhas do trânsito para poder prepará-los mais”, explica.
O curso custa R$ 400 e inclui as aulas teóricas e práticas, além de cinco aulas de rua. Nessa etapa, o instrutor acompanha o adolescente em trajetos que fazem parte de sua rotina, como os deslocamentos entre casa e escola ou outras atividades.
A proposta, segundo Van der Maas, é ensinar o aluno a lidar com as situações que efetivamente encontrará no dia a dia. “Assim segue o percurso que eles mais vão percorrer, justamente para ensinar a malícia do trânsito”, afirma.
A parceria com as autoescolas também busca reforçar o conhecimento sobre as regras de circulação. Para Van der Maas, esse aprendizado é importante não apenas para reduzir os riscos de acidentes, mas também para preservar o próprio veículo.
“Às vezes, não estudou legislação ainda, então essa adesão, uma parceria com a autoescola é fundamental, até para ajudar na segurança pessoal e na dos próprios veículos”, diz.

Bicicleta elétrica ganha espaço nas cidades
A criação do curso ocorre em um momento de expansão das bicicletas elétricas no Brasil. Na avaliação de Van der Maas, o crescimento mais acelerado ocorreu nos últimos dois anos, período em que as e-bikes passaram a fazer parte de forma mais frequente da mobilidade urbana.
“O boom foi de dois anos para cá. Realmente virou uma realidade”, diz.
O avanço, porém, não está restrito ao uso urbano. As bicicletas elétricas também ganharam espaço no esporte, especialmente no mountain bike. Ele cita como exemplo os ciclistas com mais de 40 anos que passaram a utilizar a assistência elétrica para acompanhar grupos que antes tinham dificuldade de seguir.
“A bike elétrica veio como uma salvação para essa turma que já estava com a idade um pouco mais avançada”, afirma.
A tecnologia também passou a atender quem não consegue manter uma rotina frequente de treinamento. Para esse público, a assistência do motor elétrico permite acompanhar grupos de pedal mesmo com uma preparação física menor.
“A pessoa que não tem tempo para estar treinando durante a semana e o cara que pedala aos finais de semana, com a bike elétrica, já conseguem acompanhar todo o grupo”, explica.

Marcas ampliam oferta
O crescimento da demanda também vem acompanhado da entrada de novos fabricantes e modelos no mercado brasileiro. Ripecio cita a Oggi como uma das principais marcas com as quais trabalha e afirma que a empresa projeta encerrar 2026 com 90 mil bicicletas vendidas e chegar a 300 mil unidades em 2027.
A Caloi também passou a investir no segmento, com o lançamento de uma bicicleta elétrica inspirada na Mobylette, modelo que ficou conhecido no Brasil por sua motorização a combustão.
Outra marca nacional mencionada é a Groove.
Além das fabricantes brasileiras, o mercado também vem recebendo uma quantidade crescente de bicicletas elétricas importadas, especialmente de origem chinesa.
Para Van der Maas, a expansão do segmento tende a continuar e deverá exigir uma discussão sobre regras específicas para o uso desses veículos.
“O volume de bike elétrica hoje é tão grande que eu acho que o Brasil pode virar uma Holanda”, compara.
