Carros elétricos são silenciosos como fantasmas? Entenda o que está por trás

Carros elétricos são silenciosos como fantasmas? Entenda o que está por trás
Foto: Ilustração

Imagine caminhar por uma rua e perceber que um carro se aproximou sem produzir aquele barulho característico de motor. Em pleno Halloween, a cena poderia até lembrar uma aparição fantasmagórica. Mas o silêncio dos veículos elétricos não tem nada de sobrenatural: a explicação está na forma como eles transformam energia em movimento.

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Diferentemente dos automóveis movidos a gasolina ou diesel, os elétricos não dependem da queima de combustível para movimentar as rodas. Essa diferença no funcionamento é um dos principais motivos pelos quais produzem menos ruído, especialmente em baixas velocidades.

Nos veículos a combustão, o motor funciona por meio da queima de uma mistura de ar e combustível dentro dos cilindros. Esse processo gera pressão, movimenta os pistões e, por meio de outros componentes mecânicos, transmite força às rodas.

A combustão, as vibrações das peças e o sistema de escapamento são responsáveis por parte significativa do som característico desses automóveis.

Nos elétricos, o processo é diferente. A bateria fornece energia ao sistema de propulsão, enquanto o inversor controla a corrente elétrica enviada ao motor.

Dentro dele, o estator produz campos magnéticos que provocam a rotação do rotor. Esse movimento é transmitido às rodas, dispensando as explosões controladas que ocorrem nos motores a combustão.

Mas os carros elétricos são totalmente silenciosos?

Apesar da ausência do ruído típico de um motor a combustão, os veículos elétricos não são completamente silenciosos.

O próprio motor elétrico pode produzir sons e vibrações durante o funcionamento. Outros componentes, como sistemas de refrigeração e equipamentos auxiliares, também podem gerar ruídos.

A diferença é perceptível em baixas velocidades, quando o som produzido pelo conjunto de propulsão costuma ser reduzido.

À medida que o veículo acelera, outros ruídos passam a ganhar destaque, principalmente o contato dos pneus com o asfalto e a resistência do ar. Por isso, em velocidades mais elevadas, a diferença de ruído entre um carro elétrico e um modelo a combustão pode diminuir.

Um fantasma nas ruas? Elétricos precisam alertar pedestres

O funcionamento mais silencioso dos veículos elétricos também trouxe uma preocupação relacionada à segurança de pedestres, especialmente pessoas com deficiência visual, que podem depender de sinais sonoros para identificar a aproximação de automóveis.

Para reduzir esse risco, muitos modelos utilizam um sistema conhecido como AVAS (Acoustic Vehicle Alerting System), responsável por emitir sons artificiais durante a circulação em baixas velocidades.

O recurso permite que pedestres percebam a presença de um veículo mesmo quando o motor praticamente não produz ruído.

Em mercados como a União Europeia, existem exigências específicas para a emissão desses alertas sonoros em veículos elétricos e híbridos.

Os sons variam conforme o fabricante e o modelo. Alguns lembram um ruído eletrônico contínuo, enquanto outros mudam de intensidade ou frequência de acordo com a velocidade.

O objetivo não é reproduzir necessariamente o barulho de um motor a combustão, mas tornar a aproximação do veículo perceptível.

O silêncio dos elétricos pode transformar as cidades?

Além da experiência de condução, a menor emissão de ruídos pelo sistema de propulsão representa uma possível contribuição dos veículos elétricos para a redução da poluição sonora urbana.

O benefício tende a ser mais perceptível em ambientes com circulação em baixa velocidade, como ruas residenciais, estacionamentos e áreas urbanas congestionadas.

Entretanto, a eletrificação da frota não elimina todos os sons associados ao trânsito. O contato dos pneus com o pavimento, o vento e outros fatores continuam produzindo ruídos.

Neste Halloween, portanto, vale lembrar: se um carro elétrico passar quase sem fazer barulho, não se trata de uma aparição sobrenatural.

A explicação está na física, nos campos magnéticos e em uma tecnologia que dispensa a combustão para transformar energia em movimento.

Afinal, um carro pode até parecer um fantasma nas ruas, mas precisa continuar sendo percebido por quem está ao seu redor.

Valentina Sclauser
Valentina Sclauser

Estudante de Jornalismo na PUC-Campinas, com experiência como redatora e produtora na Rádio Brasil Campinas. Atua na criação de conteúdos jornalísticos, com ênfase em produção de texto e gravação de vídeos.