Carro elétrico não deve ser rebocado com as rodas no solo

Carro elétrico não deve ser rebocado com as rodas no solo
Carro sendo guinchado. Foto: Reprodução / Canal VE

Com o avanço dos carros elétricos e híbridos no Brasil, surgem novas dúvidas sobre os cuidados necessários com esse tipo de veículo. Uma delas envolve uma situação relativamente comum: o reboque após uma pane ou falha mecânica.

Muitos motoristas não sabem, mas veículos eletrificados não devem ser puxados ou transportados com as rodas apoiadas no solo. O motivo é uma característica que ajuda justamente a aumentar a eficiência desses modelos: a frenagem regenerativa.

PUBLICIDADE

Nos carros elétricos, as rodas não servem apenas para direcionar o veículo. Em determinadas situações, o motor também funciona como um gerador de energia. Sempre que o motorista desacelera ou freia, parte da energia cinética (do movimento) é transformada em eletricidade e enviada de volta para a bateria.

Energia gerada sem gestão pode queimar componentes

O problema é que esse sistema pode continuar atuando mesmo quando o carro está desligado. Se o veículo for rebocado com as rodas girando, a frenagem regenerativa segue produzindo energia sem que os sistemas eletrônicos responsáveis por controlar esse processo estejam funcionando normalmente.

Nessa condição, a eletricidade produzida corre o risco de não encontrar os caminhos adequados para se dissipar ou ser armazenada na bateria, aumentando o risco de superaquecimento de componentes eletrônicos. Entre os itens potencialmente afetados estão inversores, módulos de controle, sensores e outros sistemas ligados ao conjunto mecânico.

 

Guincho e  modo reboque 

Por esse motivo, o ideal é que veículos elétricos e híbridos sejam transportados nas pranchas de guinchos do tipo plataforma. Nesse modelo, o automóvel permanece totalmente suspenso sobre a plataforma, impedindo que as rodas girem durante o transporte e eliminando os riscos associados à geração imprecisa de energia.

Mas há outro ponto central: o embarque do veículo no próprio guincho. 

Nos modelos elétricos, não existe uma transmissão convencional com ponto morto ou embreagem, apenas o modo neutro. Para permitir a movimentação segura do veículo em situações de emergência, os fabricantes disponibilizam uma função específica, normalmente chamada de “modo reboque”.

Essa função geralmente é ativada por meio da central multimídia ou seguindo procedimentos descritos no manual do proprietário. Quando acionada, ela desconecta os freios das rodas do motor, permitindo que o veículo seja movimentado para subir na plataforma sem causar danos ao conjunto de propulsão elétrica.

Embora os procedimentos possam variar de acordo com a fabricante e o modelo, a recomendação é sempre consultar o manual do veículo antes de qualquer operação de reboque. Em caso de pane elétrica, bateria descarregada ou qualquer situação que impeça a condução normal do carro, o transporte em plataforma é a alternativa mais segura.

Um procedimento aparentemente simples, como um reboque inadequado, pode resultar em danos significativos que poderiam ser evitados com os cuidados corretos.

Gustavo Cabral
Gustavo Cabral

Estudante de jornalismo na PUC-Campinas. Atuou como redator, repórter, social media e assessor de imprensa na área de esportes. Estagiário no Canal VE.