A instalação de pontos de recarga para veículos elétricos em condomínios pode envolver resistência de moradores, exigências administrativas e adequações técnicas. O empresário, influenciador e entusiasta da mobilidade elétrica Grégori Claro passou por esse processo e conseguiu aprovar a implantação após assumir custos, reformular a proposta inicial e acompanhar as diferentes etapas do projeto.
O processo começou em 2024, quando Claro passou a tentar viabilizar a recarga de seu Haval H6 GT dentro do condomínio. Naquele momento, ele era o único morador com um carro eletrificado.

Proposta mudou após resistência
Quando apresentou o primeiro projeto, o influenciador encontrou resistência para dividir os custos entre os moradores.
“Eles não querem pagar por algo que eles não vão utilizar”, relata.
A solução foi contratar outra empresa e assumir integralmente as despesas relacionadas à implantação de sua vaga. A proposta previa que o carregamento fosse feito sem custos para o condomínio ou para os demais moradores.
Além dos custos, Claro também assumiu a articulação com as empresas envolvidas e acompanhou o processo de implantação dentro do prédio.
Engenheiro participou da assembleia
Para tentar esclarecer as dúvidas dos moradores, Claro levou um engenheiro da empresa responsável pelo projeto à assembleia.
“Ele ia tirar as dúvidas da galera e tem uma credibilidade maior do que eu comentando para todo mundo”, afirma.
A reunião ocorreu durante uma votação para troca de vagas e contou com a presença de grande parte dos moradores. O projeto recebeu 37 votos favoráveis e 17 contrários.
A aprovação, no entanto, só ocorreu em novembro de 2025. Desde 2024, Claro vinha tentando viabilizar a instalação por meio das assembleias do condomínio.
Contrato ainda levou meses para avançar
A aprovação dos moradores não encerrou o processo. O condomínio exigiu alterações contratuais para retirar responsabilidades relacionadas a custos e obrigações do empreendimento.
“Eles não queriam ter responsabilidade alguma sobre a implantação”, conta Claro.
Depois de passar pela administradora e pelo jurídico, o contrato foi finalmente assinado. A partir daí, a empresa EnergySpot iniciou a implantação, que foi concluída na última semana, segundo Claro.
Sistema tem quadro próprio e capacidade para seis carros
A infraestrutura instalada inclui um quadro de energia próprio para os veículos elétricos do edifício. O sistema conta com equipamentos de proteção, como disjuntores, dispositivos DR e DPS.
A estrutura foi dimensionada inicialmente para atender até seis carros elétricos. Atualmente, porém, apenas dois moradores utilizam o sistema.
Foram instalados wallboxes com capacidade estrutural de 32 amperes, mas a corrente de cada equipamento foi limitada a 16 amperes.
A implantação também exigiu um estudo de demanda, que teve custo de R$ 1.800. Segundo Claro, a implantação custou R$ 5.100 por vaga.
O empresário ficou responsável por buscar as empresas, acompanhar a execução e arcar com os custos que o condomínio não queria assumir. “Minha responsabilidade foi de que tudo fosse feito diante da Norma Oficial dos Bombeiros de SP”, afirma.

Mais moradores passaram a ter carros eletrificados
O cenário do condomínio também mudou durante o período de negociação.
Quando Claro iniciou as tentativas de aprovação, era o único morador com um veículo elétrico. Ao longo do processo, outros moradores passaram a adquirir carros eletrificados. Segundo ele, um residente comprou um modelo da GWM e um novo morador chegou ao condomínio com um veículo da BYD.
Com o aumento do número de possíveis usuários, a infraestrutura deixou de ser pensada apenas para uma única vaga. Foi necessário avaliar a demanda para dimensionar o sistema e verificar a capacidade necessária para atender os veículos sem comprometer a instalação elétrica.
A estrutura acabou sendo preparada inicialmente para seis carros, embora apenas dois estejam utilizando os carregadores atualmente.
Para Claro, a própria existência da infraestrutura pode contribuir para que mais moradores se sintam seguros para comprar um veículo eletrificado.
“Talvez em 2024 eu plantei uma sementinha lá dentro”, resume.
Quanto o morador investiu
Além de assumir a implantação de sua vaga, Claro também arcou com o estudo de demanda, que custou R$ 1.800. O valor informado para a implantação é de R$ 5.100 por vaga.
O investimento foi necessário mesmo sem a garantia de retorno financeiro direto.
“Eu vou ter custo, talvez eu nunca veja a cor desse dinheiro de volta, de economia, mas tá tranquilo”, diz.
Para ele, o principal benefício é poder realizar a recarga dentro do próprio condomínio, sem depender exclusivamente de pontos externos.
E a aprovação em assembleia?
A necessidade de aprovação em assembleia é um dos pontos que podem gerar dúvidas em projetos de recarga em condomínios, especialmente diante das mudanças recentes nas regras de São Paulo.
No caso de Claro, a estratégia adotada foi submeter o projeto aos moradores e obter a aprovação formal em assembleia. O processo envolveu votação, análise contratual e participação da administradora e do departamento jurídico antes do início da implantação.
O próprio empresário afirma que as mudanças recentes nas regras podem reduzir a necessidade de aprovação em determinadas situações, mas ressalta que a aplicação prática pode ser mais complexa.
“Supostamente você não precisa mais de aprovação de assembleia e aí por diante, mas a gente sabe que isso é no papel. Na prática, é um pouco diferente”, afirma.
Por lei, no estado de São Paulo, condomínios não podem barrar a instalação de carregadores em vagas privativas sem justificativa técnica.
A experiência vivida no condomínio mostra que, independentemente das discussões sobre a necessidade formal de votação, a implantação de carregadores pode envolver outras questões, como responsabilidade pelos custos, segurança, dimensionamento da infraestrutura elétrica, contratos e adequação às normas aplicáveis.
Depois de meses de negociações, a infraestrutura finalmente entrou em operação. Para Claro, o projeto também representa uma mudança de percepção entre os moradores: o que começou como uma demanda individual pode acabar se transformando em uma estrutura compartilhada à medida que mais veículos eletrificados chegam ao condomínio.

