Mulheres apresentam mais chances de sofrer lesões moderadas ou graves em acidentes de carro, em comparação com homens. O dado vem de um estudo divulgado em janeiro de 2026 pela NHTSA (National Highway Traffic Safety Administration), agência federal de segurança no trânsito dos Estados Unidos.
O percentual foi identificado em um dos modelos estatísticos utilizados pelos pesquisadores, que analisaram diferentes tipos de acidentes e consideraram fatores como características dos ocupantes, condições das colisões e sistemas de segurança dos veículos.
No estudo, as mulheres aparecem com uma chance 46% maior do que os homens de sofrerem lesões em colisões frontais, e de 55% em capotamentos.
Ainda sobre colisões frontais, a chance de sofrerem com lesões nos membros inferiores em relação aos homens é 62% maior. Para ferimentos nos pés e tornozelos esse número sobe para 128%.
Por que mulheres e homens apresentam riscos diferentes?
Durante décadas, os testes de segurança automotiva utilizaram predominantemente bonecos de colisão desenvolvidos com base nas características físicas de um homem adulto médio.
Essa referência limitava a representação de diferenças de estatura, peso, proporções corporais e anatomia entre os ocupantes.
Embora os testes também tenham incorporado bonecos menores para representar mulheres, muitos desses equipamentos foram desenvolvidos a partir dos modelos masculinos, sem reproduzir integralmente as particularidades biomecânicas do corpo feminino.
Essa limitação pode dificultar a identificação de determinados riscos de lesões e influenciar o desenvolvimento de componentes como cintos de segurança, airbags, bancos e apoios de cabeça.
Um exemplo são as lesões cervicais provocadas pelo chamado efeito chicote, ou whiplash, que ocorre quando a cabeça se movimenta bruscamente em relação ao tronco, especialmente em colisões traseiras.
Tipo de veículo também impacta na segurança
Entretanto, as diferenças no risco de lesões não estão relacionadas apenas à anatomia ou aos equipamentos utilizados nos testes: uma pesquisa divulgada em 2021 pelo IIHS (Insurance Institute for Highway Safety, em português, Instituto de Seguros para Segurança Rodoviária dos Estados Unidos), identificou que o tipo e o peso dos veículos, além das circunstâncias dos acidentes, também ajudam a explicar o maior risco observado entre mulheres.
O estudo mostrou que, em colisões frontais, mulheres apresentavam probabilidade três vezes maior de sofrer lesões moderadas e duas vezes maior de sofrer lesões graves.
Quando os pesquisadores compararam acidentes com características semelhantes, parte dessa diferença diminuiu, embora o risco de lesões moderadas ainda fosse aproximadamente duas vezes maior para mulheres.
Estudo da Volvo identifica redução no risco de lesões
Uma pesquisa divulgada pela Volvo Cars em 2026 identificou uma redução nas diferenças de risco de lesões entre motoristas mulheres e homens em veículos da fabricante.
O levantamento comparou modelos produzidos entre 1970 e 1979 com veículos fabricados entre 2010 e 2019. Os resultados apontaram uma queda de 79% no risco geral de lesões para motoristas e de 88% entre mulheres.
Segundo a montadora, a redução mais acentuada entre as motoristas fez com que o risco de lesões se aproximasse do registrado entre os homens nos modelos mais recentes avaliados.
O estudo foi desenvolvido pelo Centro de Segurança da Volvo com base em informações coletadas ao longo de mais de cinco décadas. Desde 1970, a fabricante reúne dados de mais de 50 mil acidentes reais, envolvendo mais de 80 mil ocupantes.

A metodologia, denominada Circle of Life (Ciclo da Vida), combina informações de acidentes reais com testes de colisão, desenvolvimento e avaliação de veículos. Segundo a fabricante, esse processo permite identificar riscos e orientar melhorias nos sistemas de segurança.
A análise considera diferentes tipos de colisão, incluindo impactos frontais, laterais e traseiros, capotamentos e saídas de pista, além de características físicas dos ocupantes, como estatura e peso.
Foram avaliadas pessoas com 13 anos ou mais que utilizavam cinto de segurança, com foco em lesões moderadas ou mais graves, como fraturas e concussões. Lesões leves, como contusões e dores, não foram incluídas.
Os resultados também apontaram melhorias na proteção dos passageiros do banco traseiro. Segundo a Volvo, ocupantes que utilizam cinto de segurança nessas posições apresentam níveis de proteção comparáveis aos dos passageiros dianteiros e, em determinadas situações, até superiores.
A pesquisa foi conduzida por Lotta Jakobsson e Thomas Broberg, do Centro de Segurança da Volvo.

Embora os dados indiquem uma redução expressiva no risco de lesões, as conclusões se referem aos modelos analisados pela própria fabricante e não podem ser generalizadas para todos os veículos disponíveis no mercado. A marca sueca é conhecida por ser referência em segurança no meio automotivo.
Bons resultados em testes não garantem proteção igual para homens e mulheres
Os avanços na segurança automotiva também aparecem em avaliações independentes. Em 2025, modelos como Hyundai Ioniq 5, Audi Q6 e-tron, BMW X3 e Tesla Model Y receberam a classificação máxima Top Safety Pick+ do IIHS, que considera diferentes critérios de segurança, incluindo testes de colisão frontal e lateral.
Em janeiro de 2026, o instituto também avaliou a prevenção de lesões cervicais, conhecidas como whiplash, ou efeito chicote. Entre os 18 SUVs analisados, quatro receberam a classificação máxima: Audi Q3, Hyundai Ioniq 5, Subaru Forester e Toyota RAV4.
Embora representem avanços importantes para a segurança automotiva, esses resultados não comprovam que mulheres e homens apresentam o mesmo risco de lesões em acidentes.
