A Motiva, empresa que atua em concessões de rodovias, trilhos e aeroportos, investe cerca de R$ 50 milhões na expansão da frota operacional própria de veículos eletrificados. Os novos modelos buscam acelerar a descarbonização na atuação da marca em concessões rodoviárias e trilhos – incluindo trens, metrôs e VLT.
Serão 126 novos veículos, 59 elétricos e 67 híbridos. Atualmente, a companhia já conta com 78 VEs na frota, ante 5 no final de 2024.
Descarbonização
De 2019 a 2025, a eletrificação já contribuiu para a Motiva reduzir as emissões de gases de efeito estufa dos escopos 1 (emissões diretas) e 2 (emissões indiretas associadas ao consumo de energia elétrica) em 61%. A meta é que essa queda seja de 59% até 2033. Para 2035, o objetivo é zerar emissões diretas e do consumo de energia elétrica.
Em relação ao escopo 3 (emissões indiretas), o objetivo é reduzir 27% das emissões até 2033. Todas as metas foram aprovadas junto ao Science Based Targets initiative (SBTi).
Nos guinchos elétricos, as estimativas indicam que, quando introduzido na operação, o veículo pode gerar a redução direta nas emissões de ordem de 3,6 toneladas de CO2e ao longo do ciclo de vida útil de quatro anos do equipamento. O avanço da frota elétrica contribuiu para reduzir em 8% as emissões da plataforma de rodovias da Motiva em 2025, na comparação com 2024.

Novos modelos
Entre os veículos avaliados para o investimento em curso estão carros de inspeção, guinchos leves e viaturas de resgate. A meta é chegar a 125 VEs em operação até o fim de 2026, com perspectivas de expansão nos próximos anos.
Presença dos projetos
Já existem eletrificados nos corredores viários operados pela empresa. A Motiva AutoBan, que administra o sistema Anhanguera-Bandeirantes (SP), possui sete veículos eletrificados – seis elétricos e um híbrido. A concessionária, inclusive, implantou uma base operacional para eletromobilidade no setor, localizada no km 118 da Rodovia Anhanguera, em Nova Odessa (SP). O ponto conta com guincho leve, viatura de resgate e automóvel de inspeção de tráfego eletrificados, além de infraestrutura de recarga.
A frota eletrificada também circula em outras operações da Motiva Rodovias: são cinco veículos na BR-163/MS (Motiva Pantanal), nove na Rodovia Presidente Dutra (RioSP), seis no RodoAnel Oeste (SP), cinco no Sistema Raposo-Castello Branco (SPVias), dois na BR-101 Sul/SC (ViaCosteira) e dois nas vias administradas pela ViaSul, no Rio Grande do Sul.
Vantagens ambientais e econômicas
A Motiva afirma que, além dos ganhos ambientais, a eletrificação garante mais eficiência operacional. Por isso, a companhia busca ter cada vez mais eletrificados em novos projetos, como a Motiva Paraná, que opera o Lote 3 de rodovias no estado e já conta com 19 VEs. A Motiva Sorocabana (SP), que administra um conjunto de vias na região do município, possui sete automóveis. Na Motiva Minas_SP, que passou a operar a Fernão Dias (BR-381) em abril deste ano, a previsão é de, em setembro de 2026, ter 16 eletrificados em circulação.

Operação em trilhos
Mais recentemente, a Motiva estendeu a iniciativa à sua plataforma de trilhos. Na capital paulista, a Linha 4 – Amarela, do metrô, recebeu os três primeiros veículos leves para uso operacional. O Metrô Bahia também opera uma frota de três ônibus elétricos, que realizam o traslado entre a estação de metrô Aeroporto e o Aeroporto Internacional de Salvador. Em circulação desde o início de 2025, o serviço já evitou a emissão de 140 toneladas de carbono equivalente (CO2e), em comparação ao desempenho de ônibus convencionais movidos a diesel.
Marcas dos novos modelos
A nova frota é composta pelas marcas JAC Motors, Mercedes-Benz, BYD e Ford. Os guinchos leves são do modelo JAC E-JT 9,5. As viaturas de resgate são JAC IEV1200T e Sprinter elétrica. O veículo leve é o BYD Dolphin GS, e os automóveis de inspeção são JAC IEV 330P e Ford Maverick.
“A expansão da frota eletrificada em rodovias e trilhos reforça o nosso compromisso em liderar a agenda de descarbonização no setor de transportes no Brasil. Em um contexto de crescimento das operações, seguimos implementando uma série de ações para manter a nossa pegada de carbono em trajetória de queda. Essa e outras ações demonstram que a sustentabilidade é uma variável integrada ao coração da nossa estratégia, com o forte engajamento das nossas equipes e das nossas lideranças para a economia de baixo carbono”, diz a vice-presidente de Pessoas, Desenvolvimento Organizacional e Sustentabilidade da Motiva, Raquel Cardoso.
Ônibus elétricos em aeroportos
No começo de 2026, o BH Airport, que administra o Aeroporto de Confins (MG), investiu cerca de R$ 5 milhões para adquirir os dois primeiros ônibus elétricos para o transporte de passageiros. A expectativa é de que o projeto gere uma redução de 42,1 toneladas de CO2 equivalente por ano.
Anteriormente, o BH Airport já havia realizado a substituição de quatro veículos a combustão por quatro BYD Dolphin Mini, utilizados no transporte de equipes operacionais no pátio. Esse projeto, por sua vez, já evitou a emissão de 40 toneladas de CO2 equivalente.
O Aeroporto de Goiânia, também operado pela Motiva Aeroportos, é outro que também vem utilizando um ônibus elétrico no transporte de passageiros pelo terminal. O modelo usado é o BYD D9W, que tem capacidade para até 80 pessoas e uma autonomia de 250 km.
Cooperação
O projeto de eletrificação da Motiva se conecta às recomendações do plano de ação da Coalizão para Descarbonização dos Transportes, iniciativa multissetorial liderada pela empresa em colaboração com o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), a Confederação Nacional do Transporte (CNT) e o Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável, do Insper.
Lançado em 2024, o movimento, que reúne mais de 120 associações setoriais, empresas privadas, academia e poder público, aponta a eletrificação de frotas como uma das três grandes alavancas críticas para reduzir em até 70% as emissões do setor até 2050. De acordo com o plano da coalizão, a eletrificação tem potencial para eliminar 145 milhões de toneladas de carbono equivalente (MtCO2e) das emissões de gases de efeito estufa do setor nas próximas décadas.
