A General Motors (GM) registrou uma queda de 35% no lucro líquido no segundo trimestre deste ano, num reflexo direto de uma combinação de tarifas comerciais impostas pelos EUA e o acúmulo de veículos elétricos (VEs).
Com lucro caindo de US$ 2,9 bilhões para US$ 1,9 bilhão em relação ao mesmo período de 2024, os principais fatores que pressionaram os ganhos foram o impacto de US$ 1,1 bilhão (cerca de R$ 6,12 bilhões) em tarifas comerciais além de US$ 600 milhões em custos ligados à sobreoferta de carros elétricos, que estão perdendo subsídios federais.
As novas tarifas comerciais, parte de uma estratégia do presidente Donald Trump para forçar a produção nacional, afetaram principalmente a importação desses veículos em estoque e demais componentes fabricados na GM na China, México e Coreia do Sul, mercados cruciais para a cadeia global da empresa.
Essas taxas aumentaram os custos sem que a empresa optasse por repassá-los ao consumidor, absorvendo esse impacto com cortes internos e a repatriação parcial da produção.
Investimento nos elétricos
Um desafio destacado no balanço foi o custo dos veículos elétricos. A GM lançou novos modelos no trimestre e aumentou seu estoque de elétricos plug-in, mas o movimento resultou em mais custos do que lucros. A perda de subsídios federais, consequência do ‘tarifaço’, torna a missão ainda mais difícil.
Embora a empresa mantenha o compromisso com a eletrificação e tenha investido US$ 4 bilhões para adaptar fábricas americanas, os veículos elétricos continuam vendendo menos que o necessário para equilibrar o custo da produção, ainda mais cara que a dos modelos tradicionais.
Em uma carta aos acionistas, a Diretora Executiva e Presidente da General Motors Company, Mary Barros, ressalta que a empresa manterá como norte acreditar que o futuro a longo prazo é a produção lucrativa de veículos elétricos. “À medida que nos adaptamos à demanda em constante mudança, priorizaremos nossos clientes, marcas e uma presença de fabricação flexível, e alavancaremos nossos investimentos em baterias nacionais e outros planos de aumento de lucro”, diz.
Perspectivas contidas para 2025
Mesmo diante das pressões, a GM manteve sua projeção de lucro operacional para 2025 entre US$ 10 bilhões e US$ 12,5 bilhões. Para investidores, a manutenção dessa faixa indica uma postura mais cautelosa, o que gerou certa decepção no mercado financeiro.
Barra afirmou ainda que a empresa seguirá trabalhando para melhorar a lucratividade geral, com foco especial nos veículos elétricos. “Continuaremos a impulsionar a inovação americana em baterias, tecnologia autônoma e software”, disse.
As ações da GM recuaram 2,1% no pré-mercado após a divulgação dos resultados, embora permaneçam praticamente estáveis no acumulado do ano.
