Carro voador da Eve Air Mobility faz primeiro teste real de voo

Carro voador da Eve Air Mobility faz primeiro teste real de voo
Fase de testes deve se intensificar ainda mais em 2026. Foto: Divulgação / Eve Air Mobility

Um protótipo de eVTOL – aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical, também chamado de carro voador – realizou com sucesso seu primeiro voo experimental em Gavião Peixoto, no Interior de São Paulo, na unidade da Embraer. O teste ocorreu no último dia 19 de dezembro e consistiu numa decolagem e aterrissagem vertical da aeronave. 

O veículo esteve no ar por cerca de um minuto e foi pilotado remotamente. Assim, o teste bem sucedido representa o início de uma campanha que visa certificar essa tecnologia para transporte de passegeiros em curtas distâncias no Brasil nos próximos anos.

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Projeção de uso 

O protótipo de eVTOL desenvolvido pela Eve Air Mobility, empresa controlada pela Embraer, realizou um voo sem tripulação que consistiu em elevar-se verticalmente e pairar por um curto período, demonstrando a integração de sistemas centrais como controles fly-by-wire e propulsão elétrica. 

Esse primeiro ensaio é visto pela empresa como um passo importante para iniciar uma série de testes que se estenderão ao longo de 2026, com a expectativa de progressão para voos mais complexos e a criação de dados essenciais para a certificação futura do modelo. 

“Este voo valida nosso plano, que foi executado com precisão para entregar a melhor solução para o mercado. Conseguimos capturar dados de alta fidelidade que nos permitirão avançar com segurança e confiança rumo à certificação”, celebra Johann Bordais, CEO da Eve.

Parte de trás da aeronave
Aeronave possui sistema de motorização elétrica. Foto: Divulgação / Eve Air Mobility

Utilização do carro voador

O eVTOL – sigla em inglês para veículo elétrico de decolagem e pouso vertical – é projetado para operar em rotas curtas, conectando áreas urbanas e cidades vizinhas com mais agilidade e menor impacto ambiental em comparação aos veículos convencionais e helicópteros. 

A proposta é que esses carros voadores possam realizar deslocamentos de acordo com a rotina das pessoas, reduzindo eventuais congestionamentos e tempos de viagem

O projeto conta com capacidade estimada para transportar até quatro passageiros e um piloto na versão final, seguindo um cronograma de desenvolvimento que inclui a construção de múltiplos protótipos e a colaboração com autoridades de aviação. A princípio, o plano é iniciar as operações comerciais do carro voador a partir de 2027.

“Aplicamos nossas leis de controle, verificamos a integração dos oito propulsores e avaliamos o gerenciamento de energia, a resposta dinâmica da aeronave e o nível de ruído”, explica Luiz Valentini, diretor de tecnologia da Eve.

“O protótipo se comportou conforme previsto por nossos modelos. Com esses dados, expandiremos o envelope de voo e avançaremos rumo à transição para o voo com asas de forma disciplinada, aumentando gradativamente para centenas de voos ao longo de 2026 e adquirindo o conhecimento necessário para a certificação de tipo”, completa.

 

Certificação para uso da aeronave

A validação oficial da aeronave demanda um rigoroso programa de testes de voo e certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). A Eve pretende ampliar a campanha de testes com mais  voos no próximo ano, buscando coletar informações que sustentem essa aprovação. 

Além disso, para que o Brasil tenha uma rede consolidada desse tipo de transporte, é preciso pensar em infraestrutura, confiabilidade da população nos sistemas das aeronaves e adequação da mobilidade urbana. “Este voo dá ao produto um sinal verde claro para avançar no que importa para os operadores: confiabilidade, eficiência e simplicidade”, destaca Jorge Bittercourt, diretor de produtos da Eve. 

“Validamos elementos críticos, desde a arquitetura do nosso elevador até a mecânica de voo da aeronave, e agora entramos na fase de testes de voo, com o objetivo de aprimorar a maturidade do produto”, finaliza.

Gustavo Cabral
Gustavo Cabral

Estudante de jornalismo na PUC-Campinas. Atuou como redator, repórter, social media e assessor de imprensa na área de esportes. Estagiário no Canal VE.