Um em cada 4 carros emplacados na primeira quinzena de agosto foi de uma marca chinesa. É o que indica um levantamento da plataforma AutoDash, da Bright Consulting, que analisa o cenário do mercado automotivo no Brasil.
Ao todo, foram 101.457 veículos leves emplacados no período. A participação das chinesas, portanto, superou a casa dos 25% e avançou em relação aos 23,2% registrados na mesma janela de julho.

Modelos 0 km e vantagem de elétricos e híbridos
A Bright aponta que parte dos compradores estaria migrando diretamente para modelos chineses 0 km, atraída pela combinação de preços competitivos, maior oferta de equipamentos e garantias mais longas. Esse movimento aumenta a demanda por veículos novos e, ao mesmo tempo, pode pressionar os preços dos seminovos, que passam a ter menor vantagem relativa. E é aí que carros elétricos e híbridos se destacam.
Entre os modelos, a BYD colocou dois carros entre os cinco mais vendidos da quinzena. O Dolphin ficou na quarta posição, com 3.461 unidades, enquanto o Dolphin Mini ocupou o quinto lugar, com 3.221.
Além dos dois, outros carros chineses também apareceram entre os 15 modelos mais vendidos: Geely EX2 (9º lugar, 2.332 vendas) e GWM Haval H6 (15º lugar. O resultado reforça a expansão das fabricantes chinesas para além de um mercado de nicho.
Demanda por eletrificados cresce
A procura por veículos eletrificados também atingiu um novo patamar. De acordo com a Bright, foram 26.370 eletrificados emplacados na primeira quinzena de agosto, o equivalente a 26% dos veículos leves vendidos no período. O volume é mais que o dobro das 11.029 unidades registradas na mesma quinzena de agosto de 2025.
Há, porém, uma diferença importante para a leitura desses números. A Bright inclui os micro-híbridos (MHEV) na categoria de eletrificados, enquanto a classificação adotada pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), utilizada pelo Canal VE, não considera essa tecnologia como eletrificada desde 2025.
Por isso, os 26% divulgados pela Bright não devem ser tratados diretamente como a participação dos eletrificados segundo a metodologia da ABVE.
Considerando os veículos 100% elétricos (BEV), híbridos convencionais e flex (HEV e HEV Flex) e híbridos plug-in (PHEV), seriam 23.789 eletrificados emplacados na quinzena, o equivalente a 23,4% do mercado, número que, ainda assim, indica maturação dos VEs, que também já são quase 1 em cada 4 carros novos no Brasil.

Varejo ganha força
Outro indicador importante é a perda de força das vendas diretas. Elas representaram 41,6% dos emplacamentos na primeira quinzena de agosto, abaixo dos 43,7% de julho e dos 48,1% registrados na mesma janela de 2025.
Segundo a Bright, a redução está relacionada ao recuo das compras antecipadas realizadas por locadoras e órgãos governamentais, que tiveram maior peso em maio e junho. A venda direta caiu 12,2% na comparação anual.
Com isso, o mercado passa a depender mais do consumidor final (varejo). Este segmento por sua vez, tem predomínio de carros elétricos de entrada em 2026.
